quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

TEM GENTE


Meu apartamento...
Tem gente!
Tem gente!
Gente que eu conheci,
Um dia, por aí.


E foi gente conhecendo,
E outra gente desconhece.
E se a gente não se esquece,
É porque sempre conhece.

E o que tem nas caras
Da gente?
Que ficou fechada,
Pra gente,
E por nada?

E assim a gente,
Se encontra de repente,
Para acreditar na gente,
E ser gente para sempre.


Letra e Música: (Célia Demézio)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O VELHO PARKER


Olhando pelos cantos
Ratos invadem a TV.
E nem se sabe de tudo,
Paredes que falam com você.

Foi pela manhã,
Um jazz pelo portão.
Ficou um café muito frio.
Assovio baixinho...
O velho Parker.

Fios na tomada
Ligados na energia mundial.
Vitrines e anfetaminas,
A dupla dinâmica dá o sinal.

Foi pela manhã,
Um jazz pelo portão.
Ficou um café muito frio.
Assovio baixinho...
O velho Parker.

Letra e Música: (Célia Demézio)

domingo, 13 de janeiro de 2008

A ÚLTIMA PALAVRA


Não tive palavras para te dizer...
Não tive histórias para cantar...
Não tive vantagens para contar...

A não ser,
Fazer alguma coisa
Com nome e sobrenome
Que se possa refletir.

E já se flertou tanto,
Tantas pessoas
Tantas palavras.
Tanta coisa
Para se esquecer...

Música e Letra: (Célia Demézio)

STATUS QUO


Não me deram asas para voar.
Ando pelo chão muito devagar...
Não alcanço os carros que não param de correr.
Por isso paro na próxima esquina para beber.

Não tenho dinheiro pra tomar avião.
Estou condenada a ter os pés no chão.

Eu tenho uma vitrine em cada esquina.
E uma dose de anfetamina...

Eu tenho uma casa e o fundo do poço.
Eu tenho muita experiência e nada no bolso.
Jornal nas bancas, livros na estante,
TV ligada na sala, novela a todo instante.

Um sorriso amarelo, um desejo secreto.
Um sonho sem graça e um banheiro aberto.

Eu tenho uma vitrine em cada esquina.
E uma dose de anfetamina...


Letra e Música: (Célia Demézio)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

QUE CENA ERA AQUELA?



Tem um olho que vê as pernas,
Os braços e a boca.
Que cena era aquela?

Um olho vê, pisca.
Abre, fecha e enxerga.
Um olho que a luz cega.
Que cena era aquela?


Um olho na festa da sala,
No escuro, a fresta da tela.
O olho, o mar e o céu...
Que cena era aquela?

Quem tem um olho
É semiótico à beça.
Quem tem dois olhos nem sempre sabe
Que cena era aquela.


Música e Letra: (Célia Demézio)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

ENQUANTO OS CARROS NÃO PASSAM...



Eu ando
Pelas ruas
Sonhando.

Eu ando
Pelas ruas
Tropeçando .

Eu ando
Pelas ruas
Em perigo.

Eu ando
Pelas ruas
Sem sentido .

E enquanto os carros não passam,
Eu vou me atropelando!


Letra e Música: ( Célia Demézio)

SUANDO FRIO


Antes que eu morra de certeza
Quero levantar os pés do chão,
Pra que eu nunca mais possa
Cair do alto como um avião.

Antes que se bote tudo no lugar,
Mande flores pro segundo andar.
Pra que chova de manhã,
E eu não tenho pressa pra dormir.

O dia está quente demais,
E já estamos suando frio.


Antes, depois, nunca mais.
Olha que coisa mais sem graça.
Que pena que não é o Rio.
Estou sonhando dentro de casa.

Antes que eu morra de tristeza,
A terra vai se abrir e afundar.
O céu vai continuar a flutuar,
E eu terei três minutos pra respirar.

O dia está quente demais,
E já estamos suando frio.

Letra e Música: (Célia Demézio)